SOBRE O INDIVÍDUO

22 October, 2006

Muita gente tem problemas de identidade. Costumam tentar ser diferentes, seja lá o que isso signifique. Fazem um corte de cabelo estranho, pintam-no de verde, uma tatuagem, ouvem uma música esquisita, entram numa tribo urbana, viram blogueiros ou algo do tipo. E aí o problema se acentua, porque na medida em que se faz parte de uma tribo, um grupo qualquer, a individualidade pretendida tem de se acomodar às exigências do comportamento coletivo, e não raro o induvíduo acaba se anulando para se tornar um símbolo de si mesmo.

A alternativa a esse tipo de comportamento aparentemente "rebelde" tampouco é muito boa:  vive-se a vida pacata e segura do cidadão médio, não se preocupando em demasia com questões existenciais desse tipo. Apenas vive-se a vida, equilibrando a individualidade e a vida social naquele marasmo em que as vidas medíocres se afogam.

Tudo isso já foi dito, discutido e contestado milhões de vezes pelos melhores especialistas no assunto (e alguns dos piores também), como os psicólogos, os sociólogos, os antropólogos. Não há novidade alguma no dito acima, apenas um resumo pé-quebrado retirado de leituras parcialmente esquecidas.

Mas nunca vi uma análise profunda de caso como o meu, que não é único, mas é minoritário. Eu nunca tive dificuldade alguma em me considerar diferente; fi-lo sem esforço algum, mesmo porque, antes que me desse conta, outros se deram conta por mim. Daí por diante, as escolhas que fiz na vida podem até ter exacerbado um ou outro aspecto mais estranho, contribuindo ainda mais para um certo alheamento social. Por outro lado, levo uma vida quase que inteiramente normal e pacata, dentro da média de normalidade exigida pelos padrões sociais.

De tudo isso, minha conclusão é que ser diferente pode ser desejável, às vezes. Mas, em geral, é duro, difícil, amargo e socialmente mal visto. Especialmente se a sua individualidade é definida, em parte, por uma característica que nunca se quis ter, e que é odiável em si mesma.

Quando se pode escolher é mais fácil; mas a escolha deve ser feita com cuidado e critério, para que não haja arrependimento incurável posteriormente. Ainda assim, poder escolher é muito melhor do que não poder fazê-lo.

3 Comments »

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  1. Há também os diferentes profissionais, que já viraram uma praga, vide Supla, João Gordo e cia.

    El Comandante diz: Mas eles são diferentes de quê, cara pálida? Ter tatuagem e cabelo estranho não significa nada. Eu tenho um cabelo muito mais estranho quando acordo de manhã… :P

    Comment by j. noronha — 23 October, 2006 @ 2:18 am

  2. Penin, você não é normal. Sorry.

    El Comandante diz: Olha só quem fala…

    Comment by Gabi — 23 October, 2006 @ 4:33 pm

  3. Depois o niilista sou eu. Cara, não somos diferentes, somos de outra espécie, simples assim. Ou o que seriam dos dinoussauros se eles fosse humanos…

    El Comandante diz: Será que a nossa extinção está próxima?

    Comment by Junior — 24 October, 2006 @ 12:46 pm

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