DESCULPA, FÁTIMA!
Passei a manhã de hoje elaborando um texto complicadíssimo no computador. Na hora em que achava que tinha terminado, minha chefe avisou que eu havia esquecido uma parte importante. Eu reabri o arquivo, escrevi o que faltava, salvei e deixei aberto na tela pra poder imprimir depois. E fui almoçar.
Quando voltei, a tela estava congelada. Não importava o que fizesse ao mouse, o texto continuava lá, e eu não conseguia imprimir, fechar, nada. Pensei: "Droga, deu pau. Beleza, CTRL+ALT+DEL, fecha tudo, abre de novo, imprime." Foi o que fiz. Só que o arquivo não estava lá. Tinha sido corrompido.
-Não é possível. Vou ter que escrever essa bosta de novo. Que merda de computador. Desculpa, Fátima.
[Fátima é uma senhora que trabalha no meu setor e, até o dia de hoje, me achava o cara mais educado do trabalho.]
Lá fui eu escrever o texto de novo, de memória porque não tinha conseguido imprimir. Até fiquei meio preocupado porque o cursor estava meio lento, o que sugeria mais problemas nesse novo arquivo, mas eu já estava no finzinho, e nada mais poderia aconte…
-Hein?! "Memória cheia. Salve este arquivo em outro dispositivo imediatamente."??? Mas que porra é essa? Isso é só um arquivo de Word, não um caralho de uma imagem! Desculpa, Fátima. Eu não vou perder esse troço, não quero escrever tudo pela…
…terceira vez, claro. Evidentemente, perdi o segundo arquivo também. Àquelas alturas eu já tinha perdido a compostura, a elegância e o bom senso:
-Computador dos infernos, salva essa merda! Desculpa, Fátima. Vai pra putaquiopariu, arquivo da porra! Desculpa, Fátima, mas você entende que eu não agüento mais escrever essa bosta de texto, desculpa aliás, mas porra (desculpa), não há Cristo que agüente escrever tudo de novo pela terceira vez, e eu juro que se esse filhodaputa desse computador desculpa Fátima me fizer perder esse arquivo maldito mais uma vez eu não escrevo mais bosta nenhuma desculpa Fátima hoje até o fim do expediente, vamos computador da porra desculpa Fátima, salva esse caralho desculpa Fátima eu não quero perder o tr… NNNÃÃÃOOO!!!
TUM! Arf arf arf… [barulho da minha cabeça batendo na mesa ao perceber que havia perdido o arquivo mais uma vez, combinado com suspiros profundos para evitar crise de choro histérico]
A essa altura já havia um monte de gente à minha volta - minha chefe, a Fátima, outra moça que trabalha no setor - todas com um olhar de pena e palavras de estímulo e conforto, do tipo:
-Calma, não fica assim… não chora… o computador daqui é assim mesmo… amanhã você tenta de novo… se bem que perder o mesmo arquivo três vezes… cadê o cara da informática?
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No fim do expediente, uma arquiteta de outro setor veio se despedir de mim:
-Tchau André, até amanh… ué, o que é isso verde no seu cabelo? [pega folhinha]
-O que, isso? [disse eu, retirando o ramo de arruda de trás da orelha]
Ela começou a gargalhar.
-Ou isso? [disse eu, com a mesma expressão fleumática, apontando para outro ramo de arruda colocado sobre o monitor]
Ela ficou roxa de falta de ar de tanto rir.
-Ou talvez isso? [disse eu, levantando uma pilha de papéis sobre a CPU e revelando outro ramo de arruda todo amassado]
Ela saiu de lá tendo espasmos e se contorcendo de tanto rir.
Mas foi assim que eu consegui fazer com que o filho de uma égua malparida do computador do trabalho imprimisse a bosta do arquivo.
Desculpa, Fátima.

Hahahahahahahahahaha
Muito engraçado, rapá!
Ramo de arruda? Pé de pato, mangalô, três vezes!!
Peninzito, banho de sal grosso é o que há.
Comment by Gabi — 10 October, 2006 @ 12:32 pm
Esse escritório tem só UM computador? Eu mandaria um email xingando o Bill Gates.
Comment by j. noronha — 11 October, 2006 @ 4:58 pm
E não é que depois de ler seu post, ontem me acontece quase a mesma coisa?
Comment by Eric — 12 October, 2006 @ 2:51 am
Teve q apelar pra mandinga é?
Tb depois dessa série de desventuras pra uma simples impressão, nada mais justo.
Comment by Tiago — 12 October, 2006 @ 6:14 pm
Isso deve ser coisa dos dinos. Ou dos aliens fenícios… =S
Comment by Júlio — 19 October, 2006 @ 2:21 pm