TRÊS ECONOMISTAS: O IGNORANTE, O IDIOTA E O MALVADO
Um dos propósitos deste blog, que aliás tem o nome de um jornal, é comentar as notícias que eu leio pelos periódicos por aí (ler jornais e revistas é meu terceiro esporte predileto, depois de judô e halterocopismo, nessa ordem). Muito bem. Comentarei brevemente três notícias que li na Bolha de S. Paulo de ontem (ia linká-las, mas só o Eric deus sabe como se faz isso).
O ECONOMISTA IGNORANTE
Falando sobre Educação, nosso querido presidente Lulinha Paz y Amor disse algo do tipo: "eu nunca tirei um diploma, mas não pensem que eu não quis estudar. Eu queria ser economista". Vejam bem, ele queria ser economista. Isso explica muita coisa…
O ECONOMISTA IDIOTA
Não que eu fosse votar nele, mas se antes havia alguma chance de, em eventual segundo turno contra um nefasto qualquer, eu tapar o nariz e lhe sufragar, agora não há mais. Aloízio Mercadante, senador por São Paulo (em quem votei nas últimas eleições, aliás), perdeu definitivamente qualquer voto meu no momento em que desceu a lenha nas leis de proteção ao Meio Ambiente. A lógica do senador é aquela velha: "as leis ambientais são rígidas demais, o licenciamento ambiental é muito lento e isso atrapalha o desenvolvimento do País, blá blá blá". É mumunha. O licenciamento ambiental, quando bem feito, já não protege grandes coisas. Quando entra pressão política pra "apressar o desenvolvimento", é fatal: sempre rola aquela megamastermerda que nunca é publicada no jornal - só depois que o dano já é irreversível. Por exemplo, todo mundo fala da hidroelétrica de Tucuruí, que foi feita tão nas coxas que nem chegaram a desmatar a área que foi alagada. Resultado: hoje a decomposição das árvores (e era uma área imensa, com uma floresta de quilometros) joga uma quantidade inacreditável de CO2 na atmosfera - sem falar nos animais que morreram afogados etc. O que ninguém sabe é que a mesmíssima coisa aconteceu em 2001, quando houve pressão d’el-rei Fernando Henrique II pela inauguração emergencial de outras hidroelétricas por causa do apagão. A gigantesca Usina Hidroelétrica Luís Eduardo Magalhães, no Tocantins, bem poderia se chamar Tucuruí II, A Missão. E agora me vem a anta do Mercadante defender a mesma coisa! (Pensando bem, faz sentido: olho no jornal, minha gente. Quando vocês virem alguma notícia dizendo que "a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil e/ou o ministro Silas Rondeau, das Minas e Energia, pressionaram pela liberação da Usina Belo Monte", tremam. Vem aí mais cagada. E desta vez, no meio da Amazônia.)
O ECONOMISTA MALVADO
Ele é malvado. Ele é realmente malvado. Genial, brilhante, inteligentíssimo. Mas do mal. Uma Mente a Serviço do Mal, como se dizia de vilões de HQs antigas, como o Doutor Silvana. E aquela cara de Jabba the Hutt não engana. Estou falando, obviamente, de Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, Planejamento e sabe lá mais quê da Ditadura Militar e, agora, o maior conselheiro econômico do presidente esquerdista (???) Lula. Ontem mesmo, em entrevista, reafirmou sua condição de ministro-sem-pasta ao defender a política econômica palocciana-lulesca, passar um sutil recado ao Banco Central e defender a idéia do déficit nominal zero - a patranha mais recente que sua mente maquiavélica bolou, e que Lula seguramente adotará no segundo mandato, segundo o próprio Delfim. Teoricamente, a idéia é boa: as contas do governo, excluído o superávit primário, todo ano fecham no vermelho; Delfim defende um ajuste fiscal que iguale receitas e despesas. O problema dessa omelete são os ovos a serem quebrados. Delfim defende fervorosamente o fim da "vinculação orçamentária". Em português simples, a lei exige que uma parte do orçamento seja obrigatoriamente destinada a certos fins, sem choro nem vela. O Gordo (ou, como dizem alguns malvados, a Gorda) defende que isso acabe para que o governo possa usar o dinheiro livremente, poupando-o se quiser. Legal? Nem tanto. Os "certos fins" a que a lei obriga que se gaste são Saúde e Educação. Com a vinculação, a Saúde e a Educação brasileiras já são isso aí que se sabe. Imaginem se a vinculação acabar…

