PIOR É IMPOSSÍVEL…?

12 February, 2007

Às vezes acontecem coisas ruins. Tão ruins que costuma-se achar que se chegou ao fundo do poço. E então, para grande espanto do pobre desafortunado, descobre-se que o fundo do poço tem porão.

Então você respira fundo, levanta a cabeça e faz força para enxergar a luz no fim do túnel. Que existe mesmo: é um trem desembestado que vem na direção oposta. E você só percebe isso quando está empastelado contra os trilhos, depois que todos os cinqüenta vagões cheios de toneladas de ferro passaram por cima de você.

O derradeiro pensamento positivo é sempre aquele: "não tem importância; cedo ou tarde, isso passa." Bom, na verdade não. Certas coisas não passam. Elas mudam nossas vidas permanentemente, e a única coisa que o tempo fará é piorar a situação - ou dar uma solução indesejável.

Esse ano começou mal. A bruxa está solta. E a fim de maldade.

RESPONDENDO CORRENTES

12 January, 2007

Bom, o negócio é o seguinte: a Gabi - desculpem, eu sou uma anta nesses trecos de computador e não faço a mínima idéia de como fazer pra linkar o blog dela ao nome. Cliquem aí do lado que é mais fácil. - teve a coragem inacreditável de mandar eu responder a uma corrente dizendo 5 coisas de que eu gosto. Vejam bem, cinco! Minha sorte é que a própria Gabi subverteu uma corrente que era, originalmente, destinada a 5 coisas odiáveis. Então, sejamos justos: vão aí cinco coisas que eu adoro e cinco que eu detesto, ok? Assim eu me previno contra correntes futuras no sentido contrário…

CINCO COISAS QUE EU ADORO…

  1. Cafezinho - não adianta. Eu sou total, absoluta e completamente viciado nessa pequena e antiga infusão. Tenho opiniões próprias sobre boa parte das marcas de café expresso no mercado (o do Fran’s é forte demais para ser bom; o do Café do Ponto é bom, mas quando mal feito sai aguado; o da Kopenhagen é o melhor dentre os comerciais, até porque é acompanhado por um igualmente bom chocolate). Enfim, viciado, sabem? Café é o meu pó. Não aquele outro, branco, que não serve pra adoçar nada, nem um mísero cafezinho…
  2. Doces - Especialmente na sobremesa. Eu passo mal quando almoço ou janto e não rola um docinho depois. Mesmo. Pode ser qualquer coisa - de sorvete a bombom, não importa. O importante é que tenha. Fruta não vale.
  3. Um bom livro - ou uma boa leitura em geral. Boa parte do meu trabalho, profissionalmente, consiste em ler e avaliar relatórios escritos por outras pessoas, e eu sou um leitor exigente.  Quando um trabalho está muito bom, eu faço com que isso transpareça na minha avaliação. Quando está muito ruim, eu entro em pânico, seguido por surtos esporádicos de fúria, já que não posso ser franco e dizer o que realmente acho do que li. E o mais legal de tudo é que eu saio do trabalho, venho para casa e, para relaxar, resolvo… ler! No momento, estou dividido entre O Senhor dos Anéis, que nunca consegui ler inteiro, Sandman, cuja coleção estou recompondo (já tive quase tudo em edições anteriores, mas nunca consegui completar. Estou tentando de novo com essa nova edição da Conrad) e uma cambulhada de livros técnicos sobre assuntos relacionados ao meu doutorado. Eu mencionei que gosto de ler?
  4. Judô - treinei duas vezes judô na minha vida. Da primeira, era criança; na segunda, tinha uns 14, 15 anos. Em ambas as vezes, parei rápido; nunca saí da faixa branca. Essa é a terceira vez. É curioso que só depois de velho eu tenha conseguido a disciplina necessária para sair de faixa. E também uma pena, porque o corpo já não responde como antes. Mesmo assim, em 2 anos consegui sair da faixa branca para a azul, da azul para a amarela, da amarela para a laranja, da laranja para a verde e da verde para a roxa. Não, eu não sou bom. Eu sou o pior faixa roxa da História do Judô. Mas eu sou muito, muito, muuuito disciplinado. A ponto de fazer 50 flexões antes da aula, 50 durante e 50 depois. E eu odeio flexão.
  5. Cerveja boa - Atenção. Eu disse cerveja, não esse mijo que nos vendem pelos bares mundo afora. Estou falando de Paulaner pra cima; Erdinger não vale.  Sou capaz de ir no Asterix e gastar 60, 70, 80 paus em uma noite. Só com a minha parte da conta. Porque é claro, cerveja sem um monte de amigos loucos pra ficarem bêbados e falar merda junto comigo, não tem graça.

…E CINCO QUE EU DETESTO

  1. Acordar cedo - Eu odeio. Eu simplesmente odeio. E tenho que fazer isso todo santo dia. Putaquiopariu, é ruim demais. Especialmente em dia de semana. O que eu não faria por mais uns cinco minutinhos…
  2. A Neodireita - Nelson Ascher, Gianetti da Fonseca, Reinaldo Azevedo & cia (da extinta Primeira Leitura), toda a turma do Manhattan Connection e, "last but not least", Olavo de Carvalho. Essa turma tem todos os defeitos da antiga direita (do autoritarismo ao classismo burguês radical, passando pela defesa de suas respectivas visões religiosas como verdades absolutas) com uma inteiramente nova: é absolutamente ignorante, embora se faça passar por "intelectual". E adota posturas de um radicalismo atroz, como defender o Bush, achar que existe mesmo uma "Guerra de Civilizações", defender a tortura "em certos casos" e absurdos do tipo. Mas estão ganhando terreno, já que a esquerda perdeu o rumo de casa - e esqueceu de onde veio e para onde estava indo também.
  3. Computadores que não funcionam - é impressionante a quantidade de vezes que eu tenho que reescrever os mesmos textos quando estou trabalhando. O Word simplesmente dá pau, fecha e não salva nada do que eu escrevi. Simples assim. Eu odeio.
  4. Gente irracional - vocês sabem: aquele tipo de gente que, não importa quão bom seja o argumento que você usa, quão claro seja o seu raciocínio, eles não ouvem, não entendem ou se fazem de loucos. E decidem fazer o que tinham planejado antes, por mais que você tenha explicado que não iria funcionar. E, quando não funciona, eles te culpam. É de matar.
  5. O filho da puta que sujou meu nome na praça - pois é. Alguém pegou meu nome completo, endereço e CPF e começou a fazer um monte de dívidas por aí. E agora estão cobrando de mim valores relativos a coisas que eu nunca comprei. E o pior é que eu não faço a mais remota idéia de onde tiraram meus dados!!! Juro: se eu descobrir quem é o canalha, ele não fica vivo. Pelo menos não inteiro.

E agora eu deveria indicar alguns coitados pra responder à mesma corrente. Mas eu não vou fazer isso, porque quero adicionar um sexto item em cada uma das listas acima:

6. Eu odeio responder correntes - de e-mail, de blog, de carta, de sinal de fumaça…

6. E, portanto, eu adoro quebrar correntes!

SEM IMAGINAÇÃO

8 January, 2007

Ok, vamos combinar uma coisa: eu sou um blogueiro bissexto. Freqüentemente passo uma semana ou mais sem escrever palavra neste blog. Então, um dia me dá uma dor na consciência e eu fico horas tentando descobrir um assunto sobre o qual escrever. Como hoje, por exemplo.

Mas a verdade é que eu ando sem inspiração e sem assunto. Trabalhar na semana entre o Natal e o Ano Novo dá nisso. Pior se você trabalha também na primeira semana do ano. A coisa mais emocionante que te acontece é ser assaltado na avenida Paulista, na saída do cinema. Mas nem isso é emocionante: a turma hoje está profiossional - parece até Brasília - e basta você entregar a grana que eles te deixam em paz, com documentos e tudo. Melhor assim, claro. Pior para o blog.

Mas nem só de blog vive um blogueiro, certo?

…?

FELIZ ANO… NOVO?

2 January, 2007

E lá se vai mais um ano. Não deixa saudades. Até o final foi ruim. A festa familiar foi o mesmo de sempre: muita comida, as mesmas discussões, as mesmas piadas, quase a mesma gente. Só não é exatamente a mesma turma de sempre porque neste ano pintaram por aqui uns amigos da família que têm por principal característica uma incrível e fundamental chatice. Não que eles sejam chatos como aquela tia chata que chega na hora imprópria, só fala bobagem e te presenteou no Natal com uma gravata laranja com bolinhas roxas. Aquela sua tia é folclórica, pelo menos. Esses de quem eu falo são chatos profissionais. Mais chatos do que disco de pizza. Com recheio de chuchu.

E o ano que entra não promete grandes coisas. É por isso que eu faço como aquele mui sábio amigo e desejo a todos os que lêem estas linhas um 2007 razoavelmente tolerável. Mais do que isso, vocês sabem, é muito arriscado. Vai que a gente deseja demais e Deus, ou a estatística, acaba nos sacaneando…

POST NATALINO

23 December, 2006

E eis que chegamos a mais um Natal, época do ano que, pelos motivos religiosos conhecidos e desconhecidos, além de comerciais, as pessoas mandam mensagens cheias de desejos positivos, paz e esperança uns para os outros. Pregam a bondade, a felicidade, a alegria e todos esses bons conceitos que, fora desta época do ano, só aparecem nos discursos da ONU e nos livros de auto-ajuda.

Pessoalmente, não tenho nada contra essa data. Não há por quê passar o ano todo a desejar o mal a outras pessoas; deve-se amar a vida, nem que seja ao menos um dia por ano. Não quero dizer com isto que eu deseje a morte de algumas pessoas. Talvez alguns desmembramentos… hm, não, o desmembramento é mais cruel do que a morte. Ok, vá lá, eu desejo a morte de alguns.

Mas o ponto é: desejar isso é errado. E é claro que, se é verdade que quase todos nós desejamos mais a morte uns dos outros no nosso quotidiano (embora escondamos o fato sob camadas de boas maneiras), sabemos que é algo vergonhoso. Mesmo que muitos realmente mereçam o que lhes é desejado - seja por desonestidade, falta de caráter, burrice ou simples incompetência - todos nos persignamos por esses desejos maldosos, e utilizamos o 25 de dezembro para purgar nossas mentes culpadas dos maus pensamentos.

Afinal, esta é a época de Amor e Paz, não é? É o que todos, no fundo, sempre desejamos aos nossos semelhantes, não é? No fundo, no fundo, todos achamos que estamos certos e que fazemos o Bem, não é?

…não é?

Feliz Natal: http://www.youtube.com/watch?v=hlQkpRW-ZXA

SOBRE UM MONTE DE COISAS

17 December, 2006

Eu tinha um monte de assuntos sobre os quais escrever - coisa rara! - mas não tive nenhum tempo para fazê-lo. Então vou tentar condensar tudo em um post só. Vai ficar uma bosta muito longo, mas que se dane.

Judô

No fim de semana passado, ocorreu o Bonenkai, que é a comemoração de fim-de-ano da academia, no sítio do sensei no interior. Comi pacas, bebi horrores, nadei na piscina, joguei futebol e fiquei com aquela bela cor de jambo. Na segunda-feira seguinte, fui ao judô, e percebi que à minha bela cor correspondia uma fantástica sensação generalizada de ardência. Imaginem que delícia é ser projetado à distância com as costas ardentes. É pior. Fiquei tão desesperado que tentei ao máximo não cair, e lutei como nunca. Fui tão bem, mas tão bem, que quase furei o olho de um colega. Quando ele sarar, estou frito. Ele é japonês.

Pinochet

Muito foi dito sobre a morte do terrível ditador chileno. Aliás, foi muito curioso notar que os melhores comentários sobre isso não foram de nenhum petista ou esquerdista histórico, mas sim de José Serra, que apesar de tucano nunca disse "esqueçam o que escrevi", e de - pasmem! - Cesar Maia, dono do pefelê carioca. A explicação: Serra estava no Chile quando o golpe contra o presidente Allende ocorreu; e não sei se Maia estava lá ou não, mas foi perseguido por aqui mesmo [ERRATA: Meu contato no PFL informa que Cesar Maia estava no Chile na época, também. Valeu. Correção feita.]. Para Serra,  "[Pinochet] não vai deixar saudades. Ele vai ser sempre associado à corrupção, à tortura, deu um mau exemplo para a América Latina. O Chile era uma bela democracia, e felizmente hoje é de novo". E, segundo Cesar Maia, a economia chilena não cresceu por causa de Pinochet, mas sim apesar dele…

Quanto a mim, reproduzo meu próprio avô que, sendo espanhol, soube pela tevê da morte do general Francisco Franco, após longa agonia. Disse ele: "é uma vergonha que morra na cama. Esse filho da puta merecia ter morrido com uma bala na testa!"

Trabalho

O que vocês vão fazer na semana entre o Natal e o Ano Novo? Viajar, né? Passear com a família, a(o) namorada(o), os entes queridos, certo? Eu vou… trabalhar. E na semana de 2 a 5 de janeiro, início de ano? Certamente vocês curtirão uma folguinha merecida, não é? Pois eu estarei… trabalhando.

Agora com licença que eu vou chorar ali no canto. 

GÊNIOS SÃO ETERNOS

10 December, 2006

Do dicionário Houaiss:

Kafkiano é o que, além de remeter à obra de Franz Kafka (1883-1924), evoca uma atmosfera de pesadelo, de absurdo, especialmente em um contexto burocrático que escapa a qualquer lógica ou racionalidade.

E ELE NUNCA CONHECEU O BRASIL!!!

**********

E por falar em Kafka: hoje matei uma barata no banheiro. Espero sinceramente que não seja uma parente de Gregor Samsa.

VIAJAR É LEGAL, MAS…

5 December, 2006

Esse negócio de sempre viajar a trabalho é bem legal, porque sempre se conhece um monte de gente diferente, vai-se a um monte de lugares interessantes e isso impede que o tédio da rotina domine completamente sua vida profissional - o que é sempre fatal quando se é um burocrata. Fora que é uma boa desculpa para a preguiça que leva a não se postar nada durante um mês no próprio blog.

Mas tem conseqüências meio graves. Como, por exemplo, um ofício de um Procurador da República isto é, um promotor que ganha mais e se acha mais dizendo que, se você não responder aquele outro ofício de mil anos atrás com exigências absurdas em vinte e quatro horas, ele abre um processo contra você e manda te prender.

Tenha dó! 

MANIA DE FERIADO

15 November, 2006

Brasileiro tem mania de feriado. Ninguém se importa com o significado de um dia cívico - o que aconteceu em 15 de novembro mesmo? A Independência? Ou isso foi em 7 de setembro? - mas se alguma otoridade tenta tungar o feriado, neguinho fica fulo.

Dia santo é a mesma coisa. Eu não sei a diferença entre Sexta-Feira Santa e Quaresma, mas sei que a Páscoa é aquela data dedicada nacionalmente ao consumo desbragado de chocolates. Tem um outro significado religioso aí, acho, mas sei lá qual é.

Natal é fácil: Papai Noel na cabeça. Parece que tem um outro barbudo competindo pela data, mas deve ser algum lance comercial.

Nada disso faz o brasileiro - que afinal é brasileiro e não desiste nunca - largar mão de seu diazinho de sossego. Nem que seja em plena quarta-feira, no meio da semana, e quebre as pernas de qualquer planejamento ou cronograma.

E viva a República. Ou a Independência, ou São Longuinho, ou qualquer coisa assim…

VISITA À ILHA DA FANTASIA

12 November, 2006

Bem, estou de volta. Não por muito tempo, já que viajo novamente no fim da semana. Mas pelo menos não vai ser para Atlântida Brasília, que não é uma cidade, e sim uma nave espacial anienígena disfarçada de Capital Federal de um país de Terceiro Mundo.

É sério. A cidade parece o continente perdido de Mu algo totalmente fora da realidade, ou um resto de cenário de filme B de ficção científica. E o pior é que os residentes parecem todos alienígenas. Eles vivem num mundo meio paralelo no qual a burocracia faz sentido, todo mundo tem carro (andar a pé naquele lugar é uma aventura de alto risco), discursos são quase realidade e o governo tem planos sérios e coerentes para os temas mais importantes da vida nacional.

Só pode ser ficção, mesmo.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here